A escolha do projeto

Categoria#Projeto #Decisao #Corpo
Nível de Dificuldade: Intermerdiário
Tempo: 60min – 90min
Número de Pessoas: 1-30
Formato: Presencial e Virtual

Descrição

Para escolher um projeto que será executado em um curso introdutório do CollabDesign é importante reconectar as pessoas com a ferida do poder(ou da falta de).

Como estamos condicionados a uma realidade ganha-perde, precisamos fazer um processo elaborado para ressignificar a forma como tomamos decisões em grupos.

Aqui evidenciamos a diferença entre consenso e consentimento, a intuição cinestésica e a democracia profunda.

Como fazer um grupo de pessoas escolherem uma opção entre várias de forma colaborativa, com uma abordagem ganha ganha?

Esta é a pergunta que este padrão tenta responder.

Forças

Há um padrão de AHAS! com este processo que geralmente está relacionado à tomada de consciência corporal e a possibilidade de tomar decisões de forma que todas as vozes sejam ouvidas.

É um ótimo processo para evidenciar o poder da sabedoria coletiva e fazer com que o grupo se conheça melhor.

É uma abordagem ganha-ganha para tomada de decisão.

Contexto inicial

Temos um cenário em que todo mundo pode fazer uma proposta e o grupo deve escolher apenas uma delas para seguir em frente.

Precisamos encontrar uma forma de fazer isso da forma mais inclusiva, transparente e colaborativa possível.

Contexto Resultante

O grupo consegue perceber onde está a motivação de cada pessoa em relação a cada proposta e consegue integrar as propostas mais “votadas” ao considerar os aspectos mais relevantes de cada uma.

Disposição do Espaço e Material

  • Círculo
    Participantes sentam em círculo
    Post Its
  • Online
    É preciso ter alguma plataforma para colher as informações das pessoas(Miro, Mural, Beecanvas, Google Jamboard, Padlet,Google Docs, etc)

Processo Passo a Passo

Escrever Propostas

Convide as pessoas a escreverem as propostas de forma clara, concisa e inspiradora.

Apresentar Propostas

Dê 3 minutos para explicarem as propostas em um parágrafo.
Cada pessoa tem 3 minutos para apresentar a proposta.
Pergunte aos participantes se precisam de clarificar alguma coisa com a pessoa que trouxe a proposta.
Certifique-se de que a proposta está clara para todos.

Incorporar a Proposta

Peça para a pessoa fechar os olhos.
Faça a seguinte pergunta geradora:
“Que movimento o seu corpo que expressar para esta proposta? Deixe o seu corpo manifestar por si só.”
Deixe a pessoa trazer o movimento.
Peça para todos repetirem o movimento e memorizá-lo.
Pergunte “Por que você escolheu este movimento?”

Faça o passo 1, 2 e 3 para todas as pessoas que trouxeram propostas. Ensaie todos os movimentos antes de começar uma nova proposta.

Dot Voting

A primeira votação é feita com Dot Voting. Cada pessoa tem 3 pontos/votos e pode colocar no máximo 2 na mesma proposta.

A pergunta geradora que guia a votação é “Qual é a proposta que te daria mais motivação para realizar?”

É permitido votar na sua própria proposta.

Evidencie no fim deste processo que voto pela maioria é uma abordagem ganha-perde.

Votar com o corpo

Ensaie o movimento em sequência com cada uma das propostas.
Explique que as pessoas vão dançar uma música durante 3 minutos em que só podem utilizar os movimentos das propostas.

A ideia é que as pessoas vão se conectar com as propostas enquanto dançam e busquem perceber quais são as propostas que fazem o corpo se sente mais “atraído”.

É um momento para desligar a mente analítica e deixar a nossa intuição se manifestar.

Uma vez que a música acabar, faça mais uma rodada com todos os movimentos(de cada proposta) e diga que vai contar até três e as pessoas devem escolher apenas uma proposta(que o corpo decidiu).

No fim desse processo algumas pessoas mudam de ideia, outras mantém seu voto na mesma opção. É possível utilizar um pontinho com uma cor específica para as pessoas votarem novamente e ficar mais fácil para o facilitador perceber onde foram depositados os votos.

Lembre de enfatizar que este processo, embora fora do convencional, ainda seria uma votação ganha-perde porque é baseado em voto pela maioria.

Levantar Objeções

Observe as propostas que foram mais votadas. Pegue a proposta mais votada e traga para o grupo como a proposta que será trabalhada.

Busque consentimento do grupo.

“Alguém tem algum desconforto, inquietação ou objeção se nós escolhermos seguir com esta proposta?”

Se alguém tiver algum desconforto, celebre essas pessoas como opositores ativos e convide para se juntar aos autores também.

A partir daí siga o processo abaixo:

  1. Clarificações: Alguém ainda precisa de alguma clarificação em relação à proposta?
  2. Reações Rápidas: Como você se sente em relação a esta proposta?(uma pessoa de cada vez, facilitador chama pelo nome)
  3. Objeções: Alguma objeção, inquietação ou desconforto em relação a esta proposta? (uma pessa de cada vez, facilitador chama pelo nome)

Se houverem objeções siga para o próximo passo. Se não há objeções siga para a celebração.

Obs: A objeção deve buscar sanar uma tensão criativa que se estabelece entre a realidade atual e uma realidade desejada.

Uma objeção deve ser argumentada em torno de algum fator relevante na proposta ou no processo que causa algum tipo de dano ao propósito do trabalho que está sendo realizado.

Qualquer tipo de objeção é válida desde que não seja meramente uma questão de preferência pessoal.

Integrar Propostas

Se as propostas mais votadas puderem ser integradas, faça uma proposta de integração para os autores. Se objeções foram apresentadas, convide os opositores ativos a participar da integração das propostas também.

15 minutos é mais que o suficiente para integrar as propostas. Deixe-os em um espaço à parte do resto do grupo. Se for feito online, crie uma sala separada.

Apresentar Proposta

As pessoas que fizeram o processo de integração apresentam a proposta.

Uma vez apresentada fazemos o seguinte processo:

  1. Clarificações: Alguém ainda precisa de alguma clarificação em relação à proposta?
  2. Reações Rápidas: Como você se sente em relação a esta proposta?
  3. Objeções: Alguma objeção, inquietação ou desconforto em relação a esta proposta? (uma pessa de cada vez, facilitador chama pelo nome)

Se houverem objeções siga para o passo anterior. Se não há objeções siga para a celebração.

Celebrar

Reflita como foi esse processo e faça uma colheita de Ahas.

É importante enfatizar a diferença entre consenso e consentimento.

Faça uma recapitulação de todos os passos e como construímos toda uma jornada para chegar ao ponto em que tomamos uma decisão que não é orientada a uma visão homogênea do grupo. O processo de tomada de decisão por consentimento se preocupa em levantar objeções e explorar outras perspectivas acerca do que estamos a trabalhar. É uma abordagem ganha-ganha onde todas as vozes são ouvidas e integradas no processo.

O que pode dar errado

Pode acontecer de muitas pessoas apresentarem propostas e isso pode tomar muito tempo. Para resolver essa questão é essencial determinar um tempo para a apresentação de cada proposta e respeitar a duração que foi estabelecida.

É normal as pessoas terem dificuldade em assimilar as propostas com o corpo. Você pode lembrar o grupo de que esta é uma possibilidade de sair da zona de conforto e que aprender a se conectar o corpo para tomar decisões pode ser útil em várias nuances da nossa vida.

Quando tomamos decisões com base no consentimento é possível que algumas pessoas tenham dificuldade em separar as suas preferências pessoais do que pode ser realmente bom o suficiente para o projeto.

A facilitação desempenha um papel essencial para ajudar as pessoas perceberem que consentir é encontrar uma intersecção entre a nossa zona de preferência e aquilo que é bom o suficiente para seguir em frente.

Para lidar com casos extremos em que algum opositor não sente que pode encontrar algo que possa ser modificado na proposta que o satifaça leia o texto “As muitas objeções de Jack ” para buscar possíveis resoluções.

Boas Práticas

  • Lembre de dar um tempo específico para cada passo.
  • Deixe claro quais são os critérios para construir propostas.
  • Faça ciclos de silêncio sempre que necessário.
  • Lembre que a confusão e o caos fazem parte da natureza dos processos colaborativos e é daí que surgem as estruturas caórdicas que suportam as muitas simbioses criativas.

Variações

  • Este processo pode ser adaptado para qualquer contexto em que é necessário tomar uma decisão. Também é possível pular alguns passos e deixar o processo mais enxuto.

Referências

  • A votação com os pontinhos é uma técnica chamada Dotmocracy, Dotocracy, Dotvoting ou Democracia dos pontinhos.
  • A votação com o corpo é uma adaptação da técnica bodystorming que faz referências à gestalt, psicodrama e processwork.
  • A tomada de decisão por consentimento é inspirada no método do círculo sociocrático(SCM).

Padrões Relacionados

1-2-4 Todes
Ciclo de Silêncio
BodyStorming
Conferência do Futuro

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