Arquétipos e Dragon Dreaming

Dragon Dreaming é uma metodologia de design de projetos voltada para o empoderamento do indivíduo, comunidade e do planeta como um todo.

Opera através de processos sistêmicos que estimulam a sabedoria coletiva do grupo e formam organizações de centro vazio.

Uma das formas de captar a inteligência coletiva dos grupos utilizadas por esta metodologia é a forma como os 4 quadrantes de um projeto se relacionam com os próprios agentes envolvidos na realização dos projetos.

No Dragon Dreaming, os projetos são divididos em quatro fases: O Sonhar, o Planejar, o Realizar e o Celebrar.

Mas essas fases também se manifestam na forma como as pessoas se organizam e se expressam dentro de um grupo. Para entender isso, precisamos falar sobre arquétipos.

Arquétipos descrevem os padrões da estrutura da experiência.

Ravi Resck

Quero deixar claro que o presente estudo não é algo que foi testado através de um método científico ou uma proposta de tipologia de personalidades. É apenas uma reflexão que faço com o intuito de abordar assuntos através de uma linguagem de contador de histórias voltada para jogos e brincadeiras.

De fato, este artigo é um esboço que pretendo utilizar para definir os personagens de um jogo que estou a desenvolver que é inspirado em Dragon Dreaming e outras metodologias de inovação social sistêmica.

Bom, a minha forma de ver os arquétipos mapeados dentro desta metodologia se enquadra dentro do que eu chamo de “Inteligências do Dragão”.

O Dragão e as suas inteligências

O Dragão representa os nossos obstáculos, os nossos desafios. Quando dizemos Dragão, é a isto que nos referimos. Mas um dos maiores aprendizados oferecidos por essa metodologia é a idéia de que o maior dragão que nós temos que enfrentar somos nós mesmos. A sabedoria draconiana nos ensina a dançar com nossos dragões.

Sendo assim, nós somos os dragões. E este dragão possui quatro inteligências: A inteligência sonhadora, planejadora, realizadora e celebrativa.

Todos nós temos uma zona de conforto dentro dessas inteligências, e isso faz com que tenhamos a tendência de ver o mundo como um sonhador, um planejador e por aí vai.

Carl Jung apresentou sua visão sobre a tipologia de personalidades e dividiu as nossas funções psíquicas em quatro partes.

Ele dizia que o ser humano atua em uma escala que oscila entre a introversão e extroversão. Ninguém pode ser completamente extrovertido ou introvertido, mas nós podemos desenvolver uma tendência maior para um lado do que para o outro.

Há também uma certa distinção entre a idéia que temos sobre essas palavras de forma geral e o que Jung de fato queria dizer. Isto é o que ele chamava de atitude psíquica.

Aprender a identificar a nossa preferência de atitude ajuda não só a perceber como vemos o mundo mas também como as pessoas ao nosso redor o fazem.

As atitudes psíquicas: Introversão e Extroversão

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“Introvertidos são como um website lento. Eles podem ser o site mais interessante do mundo, mas normalmente as pessoas não esperam tanto tempo para que eles carreguem. “
Top comment: “Extrovertidos são como janelas pop-up”

Uma pessoa introvertida é alguém que direciona a sua energia psíquica majoritariamente para si própria, isto é, que tende a refletir bastante sobre assuntos filosóficos, gosta de ter momentos solitários e possui uma grande capacidade de mergulhar dentro de si própria.

Geralmente essas pessoas não são muito influenciadas pela opinião dos outros e não precisam de um referencial externo para agir.

A introversão é normalmente caracterizada por uma natureza hesitante, reflexiva e reservada que se mantém para si mesma e está sempre ligeiramente em defesa.

Jung, Carl. Two Essays on Analytical Psychology, CW 7, par. 62.

Uma pessoa extrovertida é alguém que direciona a sua energia psíquica majoritariamente para o ambiente, isto é, uma pessoa que tende a se carregar energéticamente com suas relações interpessoais, gosta de estar acompanhada de outros sempre que possível e possui uma grande capacidade de se relacionar com o ambiente externo.

Geralmente essas pessoas precisam dos outros para engajar em processos reflexivos e dependem de um referencial externo para agir.

A extroversão é normalmente caracterizada por uma natureza extrovertida, sincera e complacente, que se adapta facilmente a uma determinada situação, forma rapidamente apegos e, afastando quaisquer possíveis dúvidas, frequentemente aventurar-se-á com confiança descuidada em situações desconhecidas.

Jung, Carl. Two Essays on Analytical Psychology, CW 7, par. 62.

A distinção que gostaria de deixar clara aqui é que uma pessoa introvertida não é necessariamente tímida ou antisocial assim como uma pessoa extrovertida não é necessariamente super sociável. Esses termos, dentro da psicanálise junguiana, se referem à direção da energia psíquica mais do que qualquer outra coisa.

As funções psíquicas: Racionais e Irracionais

A forma como nós gerenciamos a nossa energia psíquica pode se distribuir entre quatro funções psíquicas: a intuição, o pensamento, a sensação e o sentimento.

Essas funções também se dividem em duas categorias: racionais e irracionais.

As funções racionais(Pensamento e Sensação) estão ligadas com a capacidade de Julgar.

As funções irracionais(sentimento e intuição) estão ligadas com a capacidade de Perceber.

Perceber vs Julgar

É engraçado como Jung diferencia o perceber do julgar. A primeira vez que tomei contato com esta idéia fiquei bastante entusiasmado porque ele estava a responder uma pergunta que eu nem sequer tinha feito ainda.

A percepção é o ato de perceber por si só. Não há nenhum processo qualitativo/quantitativo ou algum tipo de avaliação. Nós simplesmente percebemos.

O Julgamento, por outro lado, é totalmente oposto. Nós julgamos aquilo que percebemos o tempo todo, seja com as nossas emoções ou com as idéias que jorram em nossas cabeças. Tudo isso antes de perceber.

Práticas meditativas normalmente focam no perceber e trabalham a habilidade de desligar o julgamento.

No Dragon Dreaming utilizamos uma técnica chamada Pinakarri para fazer isso.

Intuição e Sensação

A intuição e sensação são descritas dentro deste modelo como sendo funções psíquicas irracionais.

Por serem irracionais, significa que não estamos necessariamente tentando fazer sentido enquanto utilizamos essas funções.

A intuição funciona como uma ponte entre o fluxo de informação do nosso inconsciente para o consciente. Malcolm Gladwell, em seu livro Blink, publicou uma pesquisa jornalística deveras interessante quando mostrou vários exemplos de como as pessoas tomam decisões em um “piscar de olhos” – daí vem o nome Blink(piscar) – que embora não possam ser explicadas, são incrivelmente acuradas.

Como a nossa sociedade foi se desenvolvendo cada vez mais em um aspecto majoritariamente intelectual, isto é, tratando a função do “Pensamento” como sendo a mais importante, nós acabamos por desenvolver cada vez menos a intuição enquanto uma função primária em nossas vidas.

O modelo de Jung propõe que nós estamos fazendo uso disso o tempo todo, algumas pessoas em maior ou menor escala.

A sensação, por sua vez, está relacionada com os nossos órgãos sensoriais, os nossos cinco sentidos. De fato, se olhamos para essas funções como uma escala, quanto mais nós desenvolvemos a percepção sensorial, menos desenvolvemos a percepção intuitiva.

Quando confirmamos a realidade do nosso ambiente através dos sentidos, reduzimos a necessidade de intuir acerca das nossas experiências.

De qualquer forma, as duas funções nos ajudam a perceber o nosso mundo interno e externo.

Pensamento e Sentimento

O pensamento aqui é descrito como uma função cognitiva. É a função que nos permite racionalizar idéias, construir conceitos e julgar a utilidade dos mesmos.

Se antes nós analisamos a intuição e sensação como uma escala, agora faremos o mesmo com o pensamento e sentimento.

Isto é, quanto mais prezamos por desenvolver nossas capacidades cognitivas, menos desenvolvemos o nosso corpo emocional e vice-versa.

Algumas pessoas poderiam argumentar: “Mas como assim as emoções são funções racionais relacionadas com o julgamento? Para mim elas são totalmente irracionais.”

Bom, a verdade é que uma das maiores funções das emoções em nossa vida é auxiliar a qualificar as nossas experiências.

Nós utilizamos as emoções o tempo todo para tomar decisões e julgar se algo nos faz bem ou mal.

A palavra racional vem do latim RATIOCINATIO, “cálculo, razão, dedução, deliberação”, de RATIO, “procedimento, cálculo”, relacionado a RERI, “pensar, calcular”.

Razão vem do latim rationem, que significa cálculo, conta, medida, regra, derivado de ratio, particípio passado de reor, ou seja, determino, estabeleço, julgo e estimo.

Portanto, o pensamento e o sentimento são funções psíquicas racionais que nos ajudam a ponderar, medir e julgar a qualidade das nossas experiências.

O Dragão Sonhador

Sonhar é operar diretamente das nossas entranhas em um salto de fé que beira a inocência de uma criança. É trabalhar com a intuição de tal forma que não existe um mapa, apenas a percepção na sua forma mais pura, sem julgamentos.

O sonhador é o visionário, que inspira todos aos seu redor com idéias nunca pensadas, às vezes impossíveis e outras megalomaníacas, sempre com uma nova carta na manga para surpreender a si próprio e aqueles que o acompanham.

Ao observar o sonhador com as lentes do modelo junguiano, vemos um processo que opera como uma intersecção entre a intuição e o pensamento.

A intuição é algo que pode ser descrito como uma chama interior que por si só não tem direção. Este fogo precisa se alimentar de ar(oxigênio) para ter direcionamento. O ar nesta metáfora representa o mundo das idéias, o intelecto.

Quando a intuição se nutre de idéias, um sonho se forma. E um sonhador é feito de intuição e pensamentos, que jorram idéias que muitas vezes são julgadas pela sociedade como malucas em um primeiro momento e depois são transformadas em pilares do senso comum.

Naturalmente, os sonhadores vivem no mundo da teoria e muitas vezes falham em realizar aquilo que se propõem a fazer. Eles não se preocupam muito com a viabilidade das suas idéias e esse na verdade é o maior ponto forte de um pensador lateral que leva sua capacidade criativa ao máximo sempre que pode.

Os sonhadores vêem o mundo com profunda admiração e compaixão. Isso permite que um fluxo contínuo de criatividade alimente a sua capacidade incrível de inspirar as pessoas. Eles querem descobrir o novo.

Mas também são conhecidos como os famosos “fogo de de palha”. O entusiasmo contagiante dura pouco e podem perder a motivação rapidamente. A tendência do sonhador é não querer reunir muitas informações acerca do que os seus sonhos são feitos.

Os sonhadores também partilham um caso de amor e ódio com os realizadores. Eles precisam um do outro mas geralmente entram em atrito. O sonhador se sente ofendido pelo realizador quando este interrompe os seus discursos inspiradores e o força a ser mais prático e menos confuso.

Análise de Forças e Fraquezas de um Sonhador

“O sonhador é o visionário que inspira todos aos seu redor com idéias nunca pensadas, às vezes impossíveis e outras megalomaníacas, sempre com uma carta na manga para surpreender a si próprio e aqueles que o acompanham. “
Energia primordial: Compaixão
Pontos Fortes: Intuitivo, inspirador, visionário, criativo
Pontos Fracos: Procrastinador, preguiçoso, pouco prático, não termina tarefas e projetos
Missão: Estimular a intenção coletiva de colaboração no presente
Sombra: Não conseguir expressar idéias com clareza e perder a motivação rapidamente

O Dragão Planejador

Planejar é pensar globalmente e mapear o território. É a construção de uma representação da rede que envolve todos os aspectos das nossas idéias. O planejador é o peregrino que viaja o mundo com confiança e constrói um mapa.

É o pensador sistêmico, o viajante que explora o mundo das idéias e consegue representá-las com coerência, para que todos entendam quais são os passos a serem tomados para realizar o sonho.

É responsável por desenhar a rede – o emaranhado de ações que devem ser tomadas para atingir um objetivo – e garantir que todo mundo tenha um papel a ser exercido na equipe.

O pensamento se alimenta de experiências sensoriais para construir um mapa cognitivo da realidade.

No entanto, o planejador não é tão criativo ou inspirador quanto um sonhador. De fato, ele e o sonhador se dão muito bem, uma vez que o planejador precisa de um grande sonhador para que ele faça um plano e vice-versa.

A capacidade de planejar pode ser representada pela intersecção entre pensamento e sensação.

A sensação, na metáfora dos elementos, é representada pela terra. As idéias precisam percorrer um terreno para ganhar forma e se transformar num protótipo de ação. Planejar é como ensaiar uma peça para que o grande ato seja o mais fiel possível ao sonho que originou o espetáculo.

Planejadores são excelentes quando se trata de definir uma estrutura, um plano de ação ou uma história para o projeto. Mas eles também vivem no mundo da teoria e perdem muito tempo pensando em como seria a realidade ao invés de experimentá-la.

Também podem ser bem confusos e muitas vezes tem medo de prototipar suas idéias porque acham que não vão funcionar. É a famosa paralisia por análise.

Mas uma vez que o plano é estabelecido, o planejador desenvolve uma profunda confiança acerca do seu método e consegue auxiliar os realizadores a tomar grandes decisões. De fato, a sua confiança é contagiante.

Análise de forças e fraquezas de um Planejador

Planejar é pensar globalmente e mapear o território. É a construção de uma representação da rede que envolve todos os aspectos das nossas idéias. O pensamento se alimenta de experiências sensoriais para construir um mapa cognitivo da realidade.

Energia Primordial: Confiança
Pontos Fortes: Visão sistêmica, síntese, capacidade de identificar padrões, análise, clareza
Pontos Fracos: Falta de persistência e coragem, trabalho excessivo, falta de senso de humor
Missão: Sistematizar ações colaborativas que inspiram confiança em todos os envolvidos
Sombra: Tornar-se arrogante por achar que sabe de tudo e ter sempre medo de falhar

O Dragão Realizador

Realizar é explorar as sensações do mundo com as emoções. É a cristalização das idéias em algo real e admirável. É viver o momento presente e agir localmente. O realizador é o guerreiro que possui o dom da coragem e materializa os sonhos com o coração.

Transformar sonhos em realidade é uma arte. Algumas pessoas simplesmente executam, elas não gostam de pensar sobre o que vão fazer. Para elas, é mais fácil aprender fazendo. Enquanto as pessoas discutem soluções para o problema, o realizador vai por tentativa e erro.

É interessante notar que se existisse um realizador puro, este não teria a intuição de um sonhador e nem o poderoso intelecto de um planejador. Assim, como esses dois também não teriam o poder emocional que permite o realizador fazer tantas coisas.

Mas ele tem acesso ao poder das mãos e do coração, e isso faz com que ele possa levar todos mais longe com a sua disciplina, persistência e coragem.

A capacidade de realizar é uma intersecção entre a sensação e o sentimento.

O realizador se dá bem com bons planejadores, mas ele tem um caso de amor com os celebradores. O realizador é motivado pelas suas conquistas e pelo reconhecimento das suas habilidades de materialização. Os celebradores são profissionais em reconhecer as habilidades dos outros e adoram estimular os realizadores a fazer mais e mais.

E os sonhadores são os que mais afetam os realizadores. Munidos de intuição, os sonhadores têm um rápido raciocínio que algumas vezes faz com que os realizadores se sintam lentos e desatualizados.

E como eles muitas vezes falam sobre idéias impossíveis de serem realizadas, é natural que esses guerreiros se sintam frustrados e eles entrem em atrito de vez em quando.

Muitas vezes os realizadores fazem trabalho dobrado porque eles não planejam suas ações. É normal ver um realizador repetir duas ou três vezes a mesma tarefa até conseguir finalizá-la.

Mas eles não desistem. São dotados de uma persistência única e é isso que faz com que eles alcancem seus objetivos.

Na metáfora dos elementos, o realizador rega a terra com suas emoções(água) e alimenta as sementes que darão vida a uma floresta de idéias. A materialização(terra) depende do corpo emocional(água) do realizador.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Ditado popular

A realização é focada em ações locais, e por isso o realizador tende a ter uma perspectiva limitada do seu impacto. Ele precisa da ajuda do planejador para ter esta visão ampliada.

Análise de Forças e Fraquezas do Realizador

Energia Primordial: Coragem
Pontos Fortes: Determinação, persistência, disciplina, destreza
Pontos Fracos: Age sem pensar, é sensível e temperamental, desorganizado, impulsivo
Missão: Materializar sonhos coletivos que regeneram o planeta
Sombra: Não ter paciência, método e não saber administrar e monitorar o progresso

O Dragão Celebrador

Celebrar é deixar as emoções fluirem intuitivamente. É saber reconhecer as forças e fraquezas dos que te acompanham e abraçar os desafios com leveza e sabedoria. Os celebradores são verdadeiros regentes da arte de viver com maestria. São os artistas que encantam dragões através da alegria e admiração pela simplicidade.

A celebração é muitas vezes associada com o ócio improdutivo e com as festas regadas a entorpecentes. Dioniso, também conhecido como Baco, era tido como deus do teatro, do vinho, e da intoxicação que fundia os bebedores com as deiades. Mas ele era também o deus dos ciclos vitais, que trazia a primavera e lembrava os humanos de como é bom estar vivo depois de um longo inverno.

Dioniso era representado nas cidades gregas como o protetor dos que não pertencem à sociedade convencional e, portanto, simboliza tudo o que é caótico, perigoso e inesperado, tudo que escapa da razão humana e que só pode ser atribuída à ação imprevisível dos deuses

Deuses do Amor e Ecstasy, Alain Daniélou p.15

Não é à toa que as surubas e orgias também são chamadas por vezes de grandes bacanais(que vem de baco, o equivalente romano de Dioniso).

Mas a sabedoria do Dragão apresenta um outro lado da celebração, que nos dias atuais é cada vez mais esquecido, talvez até de forma intencional.

O celebrador é aquele que tem a percepção intuitiva das habilidades alheias. Ele sabe reconhecer o lado bom de cada ser vivo e faz questão de exaltar isso nas pessoas. De fato, o celebrador é o grande líder do séc. XXI que sabe trazer à tona o que há de melhor no ser humano.

Por isso dizemos que ele é dotado de maestria. Ele é o mestre que consegue deslocar as pessoas da sua zona de conforto com leveza e sabedoria. De fato, ele tem o poder do discernimento.

Dentro do modelo junguiano, a celebração atua entre a emoção e a intuição.

Os celebradores tem um caso de amor com os realizadores, pois estão sempre a reconhecer o esforço dos guerreiros que trabalham com as mãos e reconhecem que eles nunca conseguiriam realizar nada sem eles. Eles adoram ver os sonhos se tornarem realidade e reconhecer o trabalho de todos os envolvidos para tornar isso possível. Os realizadores por sua vez adoram ter celebradores por perto, pois eles precisam do reconhecimento para se manterem motivados.

Por outro lado, os planejadores e celebradores costumam entrar em atrito constantemente. Os planejadores são sistemáticos e se preocupam em desenhar estratégias, prototipar idéias, para garantir que o sonho vai ser realizado. Os celebradores acham os planejadores sérios demais e ficam entediados com tanta teoria sem prática.

Seguindo a nossa metáfora dos elementos, os celebradores são portadores da água(emoções) e do fogo(intuição). Esta é uma combinação poderosa que lhes confere o poder do discernimento com sabedoria.

Eles são especialistas em dar feedback para o grupo e atuam como um elemento chave para manter as pessoas bem dispostas e motivadas.

No entanto, os celebradores têm grande dificuldade em atingir resultados transformadores, uma vez que seu entusiasmo muitas vezes se converte no lado sombrio de Dioniso e influencia toda a comunidade a buscar pelo prazer antes de realmente trabalhar para merecê-lo. O seu maior desafio é conseguir utilizar o discernimento para criar ações munidas de significado que vão alimentar a energia do grupo e configurar a sua essência de líder compassivo.

Ele precisa da ajuda do realizador para manter o foco e garantir que as habilidades do grupo serão direcionadas para resultados transformadores que só podem ser alcançados através da sabedoria coletiva.

Análise de Forças e Fraquezas do Celebrador

Celebrar é deixar as emoções fluírem intuitivamente. É saber reconhecer as forças e fraquezas dos que te acompanham e abraçar os desafios com leveza e sabedoria. Os celebradores são verdadeiros regentes da arte de viver com maestria. São os artistas que encantam dragões através da alegria e admiração pela simplicidade.

Energia Primordial: Maestria
Pontos Fortes: Intuitivo, divertido, motivador, dissolvedor de conflitos, carismático
Pontos Fracos: Tende a não ter objetivos, foge das tarefas, chama atenção em momentos inapropriados, ingênuo, otimista fantasioso
Missão: Trazer à tona o que há de melhor nas pessoas
Sombra: Não obter resultados transformadores por falta de discernimento

A Inteligência Coletiva

Quando falamos de inteligência coletiva em um espectro organizacional, temos que considerar que as pessoas são diferentes e é exatamente isso que de alguma forma nos torna iguais. Nós somos iguais na diferença.

Para desenvolver projetos verdadeiramente coletivos, é preciso levar em conta a diferença dos saberes desde a base. O que Dragon Dreaming oferece é uma visão sistêmica de um grupo que é encarado como um organismo vivo. Ninguém está pré destinado a ser um sonhador ou celebrador pra sempre, mas nós temos tendência a encontrar uma zona de conforto e ficar por ali.

Quando Jung falou sobre o conceito de individuação, ele propôs que nós deveríamos desenvolver as nossas funções psíquicas(intuição, pensamento, sensação e sentimentos) ao máximo para atingir esse estado, para tornar-nos a melhor versão de nós mesmos.

De fato, o processo de auto-realização leva-nos a redescobrir diferentes personas dentro de nós mesmos e cada dia que passa nós vamos nos aproximando daquela pessoa que nós realmente somos.

O conhecimento dos arquétipos não está aí para nos fechar em seres imutáveis, que nunca vão sair da sua zona de conforto. Pelo contrário, é uma informação libertadora que ajuda-nos a perceber as forças e fraquezas de cada um e o que nós temos que trabalhar para quebrar o ciclo vicioso da auto opressão que impomos a nós mesmos no dia a dia.

Se queremos construir comunidades resilientes, precisamos incluir a diversidade desde o início. Precisamos de times feitos de sonhadores, planejadores, realizadores e celebradores.

Nós somos dragões e todos os dragões possuem essas quatro inteligências. O processo de auto realização é algo contínuo e todos aqueles que estiverem comprometidos com o desenvolvimento pessoal deveriam se preocupar em desenvolver todas as inteligências.

Espero que esta metáfora tenha sido tão útil pra você quanto foi pra mim.

Com amor,

Ravi Resck

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