Jornada do Herói: Design de Projetos com storybuilding

Gráfico celebrado por Ravi Resck

Você já imaginou a sua vida como se fosse um filme? Talvez tenha se encontrado a contar uma história sobre um episódio aleatório da sua vida e percebeu que era muito similar a uma lenda ou algo do tipo?

Bom, todas as histórias vieram de um só lugar: o ser humano e as suas infinitas experiências.

Os padrões de personagens heróicos já são estudados há muitos anos e, com o passar do tempo, muitos escritores e mitólogos foram capazes de identificar as similaridades entre diferentes histórias ao redor do mundo.

E se nós pudéssemos utilizar esta habilidade inata do ser humano de contar histórias para desenvolver projetos extremamente bem sucedidos que estimulam o desenvolvimento pessoal, o empoderamento comunitário e prestam um serviço à Terra?

Este é um artigo que convida o leitor a entrar no campo da mitopoiese (poiese = criar, mito = história, lenda) dos projetos. Podemos entender a estrutura das jornadas heróicas e aplicar este conhecimento à previsão de cenários futuristas, design de projetos, produtos e até mesmo como um sistema de auto conhecimento integral.

Introdução

Foi em 1941 que o mitólogo Joseph Campbell, inspirado pelos estudos de Edward Burnett Taylor, Otto Rank, Carl Jung e outros, apresentou o que ele chamava de monomito, um padrão básico de narrativa que descreve a jornada de qualquer herói.

Embora Campbell tenha focado em contos populares ao redor do mundo, o seu trabalho foi utilizado por muitos dramaturgos, diretores, roteiristas e como uma ferramenta de “story-building” para indivíduos e organizações.

De fato, muitos filmes famosos como Matrix e Star Wars, apenas para dizer alguns, foram fortemente inspirados pela ideia do monomito.

Neste artigo irei introduzir a estrutura básica do monomito e  mostrar o potencial desse estudo para nos ajudar a identificar as nossas jornadas heróicas, e  a navegar esta jornada de autodescoberta que é a vida.

A Jornada do Herói com esta apresentação de 12 passos foi provavelmente proposta por Chris Vogler como um sistema narrativo para roteiros de filmes. O processo completo como foi descrito por Joseph Campbell tinha 17 passos.  

Faço uso de “licença poética” para adaptar os 12 passos ao desenvolvimento pessoal e organizacional através da metodologia de design de projetos Dragon Dreaming. É importante notar que Dragon Dreaming divide os projetos em 4 fases e também apresenta uma estrutura de 12 passos para desenhar projetos. Após visualizar o quadro geral, é evidente que a jornada do herói pode funcionar como um sólido modelo de liderança.

Ao ler o artigo, tenha em mente que o “herói” aqui tem caráter andrógino e é um termo utilizado tanto para homens como mulheres.

A Jornada do Herói

O personagem principal da jornada do herói é, obviamente, o herói.

Mas quem é esse herói? Joseph Campbell uma vez disse que “O herói é aquele(a) que doou a sua vida para algo maior que si próprio”.

Um herói também pode ser uma instituição que almeja empoderar a comunidade e o planeta, por exemplo.

De fato, somos todos heróis em potencial.

Embora o herói tenha muitas faces e possua a capacidade de utilizar várias máscaras ao mesmo tempo, parece haver uma inclinação natural nos seres humanos que os levam a ter preferência por uma ou outra.

As Máscaras Ancestrais

As máscaras que um herói decide vestir variam de acordo com as condições do momento. Todos os heróis possuem 4 inteligências: Sonhadora, Planejadora, Realizadora e o Celebrativa. Muitas vezes os heróis acabam por ter preferência por uma inteligência e acabam por desenvolvê-la mais do que as outras.

Sendo assim, quando um herói desenvolve a inteligência sonhadora acima das outras, nós o chamamos de Sonhador.  Ele também pode ser um planejador, realizador ou celebrador.

Cada inteligência traz consigo uma máscara ancestral que representa as características heróicas daquele personagem.

O Sonhador veste a máscara do Inspirado, pois está sempre a deixar os outros em êxtase com as suas visões de um mundo futurista, cheio de possibilidades e livre de obstáculos. Possui a compaixão como energia primordial.

O Planejador veste a máscara do Peregrino, pois se dedica a explorar o mundo e a construir mapas da realidade para formar um plano. É um ótimo guia e possui a confiança como energia primordial.

O Realizador veste a máscara do Guerreiro, pois sempre se esforça ao máximo para executar as tarefas e não hesita em mostrar as garras quando o sonho de seus amigos ou o seu próprio está ameaçado. Possui a coragem como energia primordial.

O Celebrador veste a máscara do Regente, pois sabe reconhecer a beleza das pessoas e do universo como um rei que admira a beleza do seu trono.  Possui a maestria como energia primordial.

Como ler este artigo

A jornada do herói apresenta três fases: a separação, iniciação e o retorno. Para cada fase, analisaremos quatro passos da jornada.

Para cada passo, teremos também um chamado.

O chamado mostra a forma de agir e pensar de heróis arquetípicos que pode nos auxiliar a lidar com cada fase da jornada.

É importante tomar algum tempo e refletir sobre as questões expostas. Por exemplo, se tivesse que escolher uma, qual seria a inteligência que você pensa ter desenvolvido mais? Sonhar, planejar, realizar ou celebrar?

Quais são as energias primordiais que você tem mais bem desenvolvidas no momento? A compaixão, confiança, coragem ou a maestria?

O leitor está convidado a entrar na jornada do herói de forma participativa e trazer as ideias aqui exploradas para a sua própria realidade.

Nota: Há muitos termos aqui citados que são relacionados com técnicas e outras metodologias. Para entender melhor a aplicabilidade de cada termo abordado, fiz uma linkagem com outros artigos no site. Não deixe de ler o significado de cada termo para obter uma visão completa do conteúdo do artigo.

Separação

Deixar o mundo comum para enfrentar os mistérios do desconhecido.

O herói vai sair do mundo comum e receber um chamado para a aventura. Na maioria dos casos o herói vai negar o chamado e entrar em um processo de negação e crise existencial. Quando o herói finalmente aceita o chamado, ele imediatamente recebe ajuda de diferentes mentores que geralmente são descritos como algum tipo de ajuda sobrenatural. Uma vez que o herói aprende mais  sobre o chamado ele irá entrar no limiar que divide o mundo comum do mundo desconhecido.

É na separação do mundo comum que  o herói começa a construir o seu ego.

1. Mundo Comum – A Tomada de Consciência

Para começar uma aventura, precisamos sair da nossa zona de conforto. Nós não vamos experimentar uma jornada incrível se nos apegamos ao que já sabemos. Se queremos encontrar o que buscamos, teremos que mergulhar no território desconhecido.

O problema é que às vezes nós não percebemos que estamos a viver basicamente dentro da nossa zona de conforto. Nossa vida quotidiana demanda tanto da nossa atenção que nós não percebemos o potencial máximo e todas as coisas que poderíamos ser se escolhêssemos seguir os nossos sonhos.

Primeiro nós temos que reconhecer as nossas forças e fraquezas, nossos medos e sonhos e tomar a consciência dos nossos OIGs: Objetivos Inacreditavelmente Gigantescos.  

Uma vez que tomamos a consciência de nosso potencial, estamos prontos para identificar chamados para aventuras nas situações mais inusitadas possíveis.

Se você pudesse escolher apenas uma palavra para descrever seu desejo mais profundo, qual seria? Quais são os maiores sonhos que você tem para si próprio? E pra sua comunidade? E os sonhos que levam todo o planeta em consideração? E os seus maiores medos? O que te impede de alcançar os seus maiores objetivos? Você está ciente das suas forças e fraquezas?

O chamado do Inocente

Ajuda-nos a construir nossa personalidade – a máscara que usamos no dia a dia, o nosso papel social.  Quer ser amado e ser parte do que acontece ao seu redor.

Meta: Permanecer Seguro

Temor: Ser Abandonado

Resposta ao Dragão: Negar ou tratar de ser resgatado

Tarefa: Adquirir fidelidade e discernimento

Dom: Confiança, otimismo, lealdade

Sombra: Negação, repressão, conformismo e otimismo irracional

2. Chamado para a aventura – O Desafio da Motivação

Uma das ferramentas mais incríveis oferecidas pelo monomito é a ideia de que qualquer coisa que acontece na nossa vida pode ser encarada como um chamado. Este chamado nos diz que precisamos conectar-nos com a nossa essência interior e com os nossos verdadeiros sonhos.
Quando recebemos um convite para o desconhecido, devemos ao menos considerar a possibilidade deste chamado ser a porta para uma incrível aventura que gostaria de se manifestar em nossas vidas.

Você teve alguma conversa com um estranho recentemente que foi inesperadamente interessante? Quais são os seus projetos atuais? Você se considera aberto para ideias aleatórias que poderiam abrir portas a territórios não explorados? Quando foi a última vez que você teve uma grande ideia?

Se nós queremos identificar os chamados que aparecem nos nossos caminhos, temos que tomar consciência dos nossos sonhos. E aí temos que cultivá-los diariamente, de forma a nutrir as nossas paixões e fortalecer a auto estima.

O chamado do Órfão

Avalia a situação e contempla quais características pessoais deveriam ser sacrificadas para compor esta nova auto imagem. É a nossa parte que aprende a reconhecer e evitar situações que podem nos machucar.

Meta: recuperar a Segurança

Temor: ser explorado, ser vítima

Resposta ao Dragão: impotência, evitá-lo

Tarefa:  receber ajuda dos outros, partilhar sonhos

Dom: interdependência, empatia, realismo

Sombra: Cinismo. Tornar-se a vítima

3. Negação e Crise Existencial – Reunir Informações

Digamos que hoje você recebeu um convite inesperado para algo que nunca fez antes e provavelmente não sabe se vai dar certo. Você aceitará o chamado?

A verdade é que, com o passar do tempo, nós falhamos em aceitar a maioria das aventuras que nós gostaríamos de explorar ao decorrer das nossas vidas.

Em algum ponto, depois de negar muitas aventuras, podemos acabar por entrar em um processo que é conhecido como crise existencial. O Herói falhou em aceitar sua jornada autêntica e agora vive em um estado de negação completa do seu ser.

Para se livrar desse estado de espírito improdutivo, ele deve aceitar que falhou em aceitar os chamados e lembrar dos seus OIGs(Objetivos Inacreditavelmente Gigantescos).

A maioria dos projetos nunca saem da fase do sonhar porque nós falhamos em aceitar os chamados que nos mantém motivados. Nós falhamos em partilhar os nossos sonhos com a convicção que vai nos manter motivados, mas pode motivar todo o resto do mundo como um resultado da nossa própria auto realização.

Para sair da crise existencial nós precisamos recolher informações acerca dos nossos sonhos mais profundos e aceitar o chamado para a aventura.

A crise existencial de um projeto acontece quando falhamos em manter-nos inspirados por falta de informações sobre os grandes objetivos que queremos alcançar.

É preciso cultivar os sonhos como se não houvesse amanhã. Se estamos a viver constantemente nas possibilidades do futuro ou o que poderíamos ter feito no passado, não estamos aptos a experimentar as maravilhas do momento presente.

Lembre-se dos seus maiores objetivos e sonhos. Lembre-se dos seus maiores desafios. Esteja em paz com as suas fraquezas, pois elas serão as forças que te levarão ao encontro de incríveis mentores que vão te guiar pela incrível jornada que é a vida!

Aqui é onde fazemos uma revisão de todos os nossos objetivos, medos e sonhos.

O chamado do Guerreiro

Extrapola os limites impostos pelo meio e empreende jornadas em busca de tesouros.  Tem a coragem necessária para entrar no mundo desconhecido.

Meta: ganhar, conseguir o que se propõe,  lutar para mudar as coisas

Temor: debilidade, impotência, não ser apto

Resposta ao Dragão: matá-lo,  derrotá-lo, convertê-lo

Tarefa: lutar por aquilo que realmente merece

Dom: coragem, disciplina

Sombra: Obsessão com a vitória e falta de princípios

4. O Limiar do Mundo Conhecido para o Desconhecido – Considerar Alternativas

A vida é um projeto, não é? Bom, aqui nós aceitamos o chamado e os mistérios do desconhecido estão a nos convidar para cruzar o limiar do mundo dos sonhos para algo um pouco mais tangível.

Isto acontece quando, depois de ganhar calos da crise existencial, nós finalmente aceitamos a nossa verdadeira essência e começamos a considerar alternativas sobre o que nós realmente queremos para nós mesmos.

Este também é o momento em que nos perguntamos se realmente queremos mergulhar no desconhecido. A maioria das pessoas vão parar aqui e vão voltar para as suas vidas normais. Mas se você está realmente comprometido com a sua jornada heróica, você deve considerar todos os cenários alternativos de cada projeto que você imagina para si. Isso vai te preparar para enfrentar desafios e, acima de tudo, desenhar uma estratégia.

Aqui pode ser útil utilizar algumas ferramentas como Seis Chapéus do Pensamento, Análise de Campo de Força, SCAMPER e outras ferramentas que nos auxiliam a gerar idéias, tomar decisões  e a ganhar confiança.

É preciso ter muita coragem para abandonar a nossa vida normal e navegar entre os mistérios que são guardados por dragões e outras criaturas míticas do nosso inconsciente. Você está realmente preparado para se conhecer? Está preparado para o que pode descobrir sobre a sua verdadeira natureza? E acima de tudo, está preparado para sacrificar o seu velho eu?

O chamado do Cuidador

Se dedica ao bem dos outros mais do que a si próprio. Busca a sobrevivência do indivíduo, mas também da família, da tribo ou da espécie. Sacrifica os seus interesses pelo bem maior.

Meta: ajudar os outros, transformar através do amor

Temor: egoísmo, ingratidão

Resposta ao Dragão: amá-lo e ajudar suas vítimas

Tarefa: criar situações ganha ganha

Dom: compaixão, Generosidade

Sombra: torna-se um mártir e culpa os outros pelo seu martírio.

Iniciação

Aprendendo com as coisas que não sabíamos que não sabíamos.

Se o herói cruza o limiar, ele mergulha em um profundo processo de auto descoberta que chamamos de ventre da baleia. Aqui é onde todas as estratégias são desenhadas e onde o heróis aprende mais sobre sua própria natureza. De fato, ele vai ter todo o conhecimento obtido no ventre da baleia a ser validado por muitos testes e antagonistas.

Esses testes estão apenas a preparar o herói para o desafio final, o encontro com o dragão. O Dragão é um espelho do herói, e é ali que o herói percebe que o seu maior oponente era ele próprio este tempo todo.

Quando o herói mata o seu velho eu, o dragão é vencido e o herói recebe uma recompensa.

Agora que o herói está preenchido de sentido em sua vida, ele descansa em um santuário e se prepara para a viagem de volta ao mundo comum, onde ele pode utilizar suas novas habilidades e partilhar os resultados transformadores obtidos durante sua jornada para inspirar outros heróis que estão a começar seus próprios caminhos de auto descoberta.

A iniciação representa o processo de formação da alma do herói.

5. Ventre da Baleia – Desenhar Estratégias

Uma vez que o herói aceita o chamado e cruza o limiar, ele é imediatamente transportado para um lugar misterioso. Agora ele tem acesso a todos os seus maiores sonhos, mas também aos seus maiores medos.

O herói quer saber mais sobre todas as máscaras que esteve a utilizar durante sua vida, e assim começa a compreender a função de cada máscara para diferentes situações.

Ele tem que aceitar a si próprio e brincar com os seus vícios para se libertar da prisão da arrogância, crenças, cobiça e do medo.

Somente após alcançar esse estado de brincar consigo próprio, essa mentalidade infantil e relaxada, ele estará livre para ir.

Em termos de elaboração de projetos, este é o momento em que vamos desenvolver diferentes estratégias para abordar os obstáculos que encontramos ao trilhar o caminho do sonhador.

Quais são as tarefas que precisam ser realizadas para que você possa atingir seus maiores objetivos? Quais são os recursos necessários? Há alguma tarefa que se for executada poderia acelerar o processo?

Lembre-se dos 10 passos para definir objetivos e tome o tempo que for necessário para refletir sobre essas questões.

O chamado do Explorador

É o espírito investigativo que não tem medo de olhar para o que mais tememos. O explorador experimenta o sentido da vida no ventre da baleia.

Quando se depara com o desconhecido, encontra a ele próprio.

Meta: buscar uma vida melhor,  

Temor: conformismo, estar preso

Resposta ao Dragão: escapar, abandoná-lo

Tarefa: ser fiel a uma realidade mais profunda

Dom: Autonomia, ambição

Sombra: Ambição excessiva, perfeccionismo, incacapacidade de se comprometer, vícios

6. Testes e Antagonistas – Prototipar

Definir o nosso propósito de vida não é algo simples. Se quisermos triunfar, vamos ter que nos acostumar com a ideia de prototipar as nossos projetos.

Todas as estratégias que desenhamos devem ser testadas inúmeras vezes até estarmos satisfeitos com os resultados. Lembre-se: o mapa não é o território. Cada ideia que geramos deve ser colocada em uso para que possamos verificar se realmente funciona.

Isto é o que acontece quando decidimos destruir a estrutura do mundo comum e instalar uma nova visão do universo e de nós mesmos.

É muito fácil perder-se com a frustração das nossas falhas em projetos reais. Muitos simplesmente não conseguem lidar com a falha. Mas isso é porque eles não sabem que não existe algo como uma falha. Tudo é feedback. É impossível falhar. No máximo vamos aprender como não deveríamos fazer algo.

A prototipagem representa o limiar do planejamento, é o momento em que começamos a realmente fazer alguma coisa. É hora de testar, e aprender com os testes e antagonistas que vão apresentar-se durante a jornada. Esses antagonistas podem ser a raiva, frustração, apego ou qualquer outra coisas que desafie a determinação do herói.

Que projetos você está tecendo? Algum deles já foi prototipado? O que você está esperando?

Aqui é onde consideramos todas as estratégias e alternativas que foram levantadas durante o planejamento.

O chamado do Destruidor

O desejo de transformação.  A capacidade de mudar de ideia, reconhecer os erros e renovar a forma de ver o mundo.  A morte é vista como uma oportunidade de renascimento.

Meta: crescimento, metamorfose

Temor: estancamento, alienação

Resposta ao Dragão: ser engolido ou destruí-lo

Tarefa: desapegar, entregar o controle, aceitar a morte

Dom: humildade, aceitação

Sombra: autodestruição ou a destruição dos outros

7. O Dragão – Implementação

Um dos maiores desafios do herói em suas jornadas é a  implementação dos seus maiores sonhos. De fato, este é “O” desafio.

Agora o herói já tomou consciência dos seus Objetivos Inacreditavelmente Gigantescos, libertou-se da prisão da arrogância, crença, cobiça e do medo, conheceu muitos mentores no caminho, considerou várias alternativas e desenhou estratégias para cada uma delas.

É hora de colocar tudo o que foi planejado em ação.

O maior desafio agora é olhar para nós mesmos no espelho e aceitar o dragão que vive neste receptáculo de consciência que nós somos. Se quisermos realizar projetos escandalosamente bem sucedidos, vamos ter que aprender a dançar com nossos dragões.

Em termos de elaboração de projetos, este é o momento da implementação. Aqui a nossa mente precisa  orientar-se a soluções e nós temos que seguir as direções que foram estabelecidas quando desenhamos aquela ideia.

O dragão é a figura que representa as nossas fraquezas, os nossos medos.

Quais são os pontos fracos do nosso projeto? Como podemos nos tornar mais resilientes se aprendemos com as nossas fraquezas?

É por isso que dançamos com os nossos dragões. O nosso maior aliado ao realizar os nossos projetos é a capacidade de enxergar as falhas do nosso plano.

O chamado do Amante

A integração dos opostos.  O amor incondicional. O amante dissipa a dicotomia do bem e do mal com sua visão inclusiva.  A plena auto-aceitação lhe permite integrar-se ao mundo.

Meta: felicidade,  união

Temor: perda do amor, desconexão

Resposta ao Dragão: amá-lo

Tarefa: seguir a própria felicidade

Dom: compromisso, paixão, extase

Sombra: Ciúme, inveja, donjuanismo, obsessão com o sexo  ou pornografia e (inversamente) puritanismo.

8. A Recompensa – Gestão

Uma vez que o herói aprende a dançar com seus dragões, ele recebe um amuleto. Este amuleto é a inspiração de um sonhador, que trilhou uma grande jornada para chegar até aqui. De fato, ele percebe que o seu maior trunfo foi a jornada em si, e não os objetivos que o levaram até ali. Isto é o que acontece quando trabalhamos em projetos que nos identificamos completamente e sentimos que estamos exatamente onde deveríamos estar.

Mas, a jornada não acabou. Agora nós temos que regar todas as sementes que plantamos e alimentar esta maravilhosa floresta de ideias que se formou. Para gerir tantos projetos vamos precisar de um corpo saudável, que possa acompanhar a velocidade da nossa mente de forma resiliente.  Um corpo emocional bem nutrido também pode vir a ser bastante útil, pois com grandes ideias, vêm grandes responsabilidades.

Se quisermos ser bem sucedidos na gestão de projetos, precisamos de um bom mapa para a implementação. É aqui que um bom karrabirdt pode ser bem utilizado, especialmente com um gantt chart. A teoria sem prática é desperdício de tempo, e a prática sem teoria é cega.

Quais são os motores do seu projeto? Quem são os elementos envolvidos? Onde você deveria focar a sua energia?

O chamado do Criador

É a capacidade da inteligência de entreter-se consigo própria.  A imaginação é a sua ferramenta de descoberta. O criador é estimulado pelo fluxo constante de ideias originais.

Meta: criar vida, trabalho ou qualquer tipo de realidade

Temor: falta de autenticidade, falta de inspiração

Resposta ao Dragão: criar outra realidade

Tarefa: aceitar-se e criar a si próprio

Dom: criatividade, identidade, vocação

Sombra: criação de situações ganha-perde, adicção ao trabalho, limitar opções

Retorno

Facilitando a mudança no mundo com aquilo que inconscientemente sabemos que sabemos.

Antes do herói voltar, ele é tentado pelas maravilhas do mundo desconhecido. Ele é convidado a ficar ali e continuar este processo de auto conhecimento para sempre. Agora o herói tem que decidir se ele quer cruzar o limiar do mundo desconhecido para o conhecido.

Se o herói escolher cruzar o limiar ele terá que enfrentar um último desafio onde os seus dragões mais profundos são revelados mais uma vez. O Herói tem que se transformar em seus próprios sonhos para ter a liberdade de viver. É aí que ele finalmente retorna com o elixir.

O retorno representa a formação do self.

9. Viagem de Volta – Monitorar Progresso

Agora o herói venceu o dragão e está pronto para fechar o ciclo deste projeto e começar outro. Ele passou por muita coisa para chegar até aqui e é hora de voltar para casa. Mas o herói viajou para muito longe, e as portas do mundo comum estão fora do alcance de sua visão.

Aqui nós precisamos monitorar o progresso de tudo que alcançamos, verificar se ainda estamos a evoluir. Quando fazemos este processo estamos no limiar da realização para a celebração.

Quais foram as missões bem sucedidas? O que deu errado? O que poderia ter sido feito melhor? Você alcançou os seus objetivos? Precisa mais de tempo? Está feliz?

Esse é o momento das nossas vidas onde nós percebemos o nosso propósito e nos conectamos com a nossa verdadeira natureza. É o começo do processo de individuação, a essência da formação do nosso self.

Agora fazemos uma reavaliação de tudo o que aprendemos.

O chamado do Governante

É a capacidade de gerir nossas emoções. Os recursos que temos a disposição são plenamente utilizados e podemos observar a criação com astúcia.  O governante conhece o reino e o seu povo, assim como os seus desafios. É um visionário, sempre a prever a próxima jogada para manter um reino próspero e pacífico.

Meta:  ordem e autocontrole

Temor: caos, perder o controle,

Resposta ao Dragão: dominá-lo com destreza

Tarefa: estabelecer limites e respeitá-los

Dom: assertividade, responsabilidade

Sombra: tirania, manipulação alheia

10. O Limiar do Mundo Desconhecido para o Conhecido – Adquirir novas habilidades

Uma vez que descobrimos as maravilhas do mundo desconhecido, realmente não é fácil sair de um lugar tão peculiar. Mas, cá entre nós, é muito mais fácil ser um buda se você vive na floresta.  O difícil mesmo é colocar todas essas novas habilidades em uso na vida real, com pessoas e situações reais.

Muitos heróis se inclinaram a ficar no mundo desconhecido porque eles pensaram que ninguém iria entendê-los se eles retornassem ao mundo comum.

É comum ver exemplos de heróis que se tornaram obstinados com seus objetivos e perderam a noção de sua própria grandeza. Eles esquecem que podem inspirar muitos outros que estão apenas a começar.

Em termos de Dragon Dreaming, este é o começo do processo de celebração. Aqui nós reconhecemos as nossas novas habilidades adquiridas através do que foi alcançado neste projeto e nos preparamos para partilhar isto com o mundo.

Que habilidades você ganhou durante seus projetos? Como podem ser aplicadas na vida real?  Quais foram as habilidades que o grupo ganhou? E a comunidade?

Nó temos que cruzar este limiar para contribuir com a inteligência coletiva deste organismo planetário.

O chamado do Mago

O poder do mago é a transformação da realidade através da consciência.  Mesmo em situações rígidas, o mago sabe ser flexível e ágil para resolver problemas.

Meta: transformar realidades ganha-perde em ganha-ganha

Temor: efeito contrário na tentativa de transformar

Resposta ao Dragão: transformá-lo ou curá-lo

Tarefa: empoderar o outro e a si próprio

Dom: poder pessoal

Sombra: converter realidades ganha-ganha em perde-perde

11. Transformação – Resultados Transformadores

Agora que o herói cruzou o limiar, há um desafio final que deve ser enfrentado antes que ele possa obter a liberdade para viver como senhor de dois mundos. É  como se houvessem alguns traços do seu velho Eu que vêm à tona e mostram as últimas sombras que o herói deve encarar para triunfar. O desafio agora é o processo de transformação.

Durante o processo de iniciação o herói aprendeu a “deixar ir” todo o seu passado para poder aprender com as possibilidades do futuro.

Agora o herói deve aprender a “deixar vir” as possibilidades do presente e transformar-se na metamorfose que ele se propôs.

Quais são os resultados dos seus projetos que realmente transformam a sua vida?

Aqui o herói tem uma mente aberta e coração aberto. O seu velho e novo Eu está morrendo para se transformar em algo completamente novo.

O chamado do Sábio

É a capacidade de ver os dois lados da mesma moeda, perceber o todo e ver as coisas com clareza.  O sábio não contagia a realidade com suas percepções, apenas observa.

Meta: a verdade, o conhecimento

Temor: enganos e ilusões

Resposta ao Dragão: estudá-lo e transcendê-lo

Tarefa: Compreender o mundo e a si próprio

Dom: ceticismo, sabedoria, desapego

Sombra: isolamento, falta de sensibilidade, arrogância, atitudes críticas, julgamentos

12. Retorno com Elixir – Discernimento com Sabedoria

Após renascer, esta pessoa agora é senhor de dois mundos. O Mundo conhecido e o desconhecido.  Este é o estado final, onde o herói encontra a liberdade para viver como ele quer, a ser completamente preenchido pelo seu máximo potencial.

Mas a vida, é claro, não é um conto de fadas. Não há algo como um final feliz onde o herói vive uma vida pacata e confortável para sempre. A vida é feita de altos e baixos e esta é a beleza da coisa. Depois de atingir esse estado de espírito, o herói obtém o discernimento que precisa para ajudar outras pessoas a saírem das suas zonas de conforto e mergulharem no mundo desconhecido.

A liderança que nós precisamos hoje vem dos heróis do quotidiano. Estes são os verdadeiros protagonistas da grande virada, a jornada heróica da própria humanidade.

Este é o passo final da jornada do herói. Mas a jornada é como um fractal, não tem início e nem tem fim.

Aqui nós temos que refletir sobre toda a experiência que trilhamos em tantas aventuras, e é assim que obtemos o discernimento com sabedoria.

O chamado do Louco

É a liberdade de viver. A capacidade de viver o presente e sentir prazer em estar vivo.  É a nossa criança interior que tem a capacidade de brincar e levar uma vida descontraída.

Meta: disfrutar a vida

Temor: falta de vitalidade

Resposta ao Dragão: brincar com ele

Tarefa: confiar no processo e aproveitar a jornada

Dom: A capacidade de ser livre e liberar os outros

Sombra: falta de responsabilidade, preguiça

Infográfico

O Jogo Heróis&Dragões

Como vivemos em tempos de inovação, o material apresentado neste artigo foi utilizado para desenvolver uma abordagem gamificada que nos permite experimentar cada fase da jornada através de uma experiência lúdica. Inspirado no Jogo do Herói e Dragon Dreaming, desenvolvi um jogo que estimula relações ganha ganha através de um profundo processo de reflexão. Segue abaixo algumas fotos do protótipo que ainda está em desenvolvimento.

Referências

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Campbell, J., Moyers, B. and Flowers, B. (2012). The power of myth.

Vogler, Christopher (2007). The Writer’s Journey: Mythic Structure For Writers.

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Rebillot, Paul. and Kay, Melissa.  (2017) The Hero’s Journey: A Call to Adventure

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Croft, John (2014). Fact Sheet Number #4 Deep Time and Dragon Dreaming: The Sustainable

Aboriginal Spirituality of the Song Lines, from Celebration to Dreaming.

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